quinta-feira, fevereiro 24, 2005

O melhor Guarda Redes português de sempre

"Baía impressionante
Vítor Baía atingiu ontem a centésima presença num jogo das competições europeias. Capitão dos dragões na ausência de Jorge Costa (pela primeira vez nesta época o central falhou uma partida da Liga dos Campeões), o guarda-redes pôde acrescentar mais esta marca ao seu já impressionante currículo. À escala planetária, Baía é o futebolista com mais títulos conquistados, precisamente 27, entre os quais se destacam as vitórias na Liga dos Campeões, Taça UEFA, Taça Intercontinental e Taça das Taças (conquistada ao serviço do Barcelona). A utilização, ontem à noite, frente ao Inter de Milão permitiu a Vítor Baía somar a centésima partida em todas as competições europeias, uma marca invejável e que também diz muito sobre a carreira do guardião."

Respondendo ao apelo - que me enche de orgulho - do Benfiquista desolado, estou de volta (sendo certo que a ausência apenas se ficou a dever a uma lesão nas costas...).

É pena que este "recorte" da bola, mais centrado no currículo de Vitor Baía do que nas suas capacidades, não refira a brilhante exibição (mais uma...) do mesmo frente ao Inter de Milão, e que, por si só, garantiu um resultado que, não sendo brilhante, permite que o FCP continue a sonhar com a continuação na Liga dos Campões (mais uma vez desacompanhado de qualquer outro clube nacional...).
Sendo este blog dedicado ao melhor e ao pior do nosso futebol, penso que todos - independentemente da sua "confissão" - concordam que o Vitor Baía é/foi, sem dúvida, o melhor guarda-redes português de todos os tempos (ou, pelo menos, desde que existe televisão a cores...) e que, por isso mesmo, merece o reconhecimento e a homenagem de todos os portugueses (com excepção da Xana Baía...).
Além de ser o futebolista em actividade com mais títulos (que outro português se pode gabar de ser o mais bem sucedido a nível mundial naquilo que faz??), o sub-capitão do FCP tem vindo a manter um nível exibicional impressionante (não, obviamente, sem alguns erros ou frangos pontuais), o que, como adepto do FCP, me faz desejar que possa continuar a jogar por mais alguns e bons anos.
Curiosamente, a Selecção Nacional não contribuiu, em nada, para a construção do palmarés do futebolista em actividade com mais títulos. É certo que o título de Campeão do Mundo em Riade foi "trocado" pelo 1.º título de campeão nacional ao serviço do FCP, mas, mesmo assim, nada do que o Baía conquistou se deve à Selecção Nacional (a mesma que, nunca tendo conquistado qualquer título nas categorias seniores, abdica do futebolista mundial com maiores sucessos a nível individual...).
Ora, mesmo sem qualquer vantagem pessoal (antes pelo contrário), e ao contrário de outros futebolistas nacionais consagrados (maxime, Luís Figo) o Baía manteve-se e mantém-se sempre disponível para representar uma Selecção e um País que, não só nunca lhe deram nada, como o menosprezaram e rejeitaram, o que revela qualidades pessoais e um sentido de patriotismo bem acima da média.
Não quero com isto reabrir a polémica relativa às qualidades do Ricardo, do Quim, do Moreira e de todos os outros guarda-redes nacionais que lutam para, um dia, serem metade daquilo que o Baía hoje é, nem relativamente à sua (não) chamada à Selecção pelo Selecionador Nacional Estrangeiro mais amado pelos Portugueses (a ser comigo, já teria, há muito, abdicado da selecção...), mas, tão só, demonstrar que - quer se goste, quer não se goste da pessoa/atleta - o que Baía fez/é merece o reconhecimento de todos.
Aliás, um país de "tanga", na cauda da europa e de tendências politícas assustadoramente comunistas/esquerdistas, bem precisa de exultar os seus heroís e aquilo que tem de bom...

Neste sentido, e para que, como todos os Portugueses de sucesso, não seja reconhecido apenas após a sua "morte", só me resta dizer:
Obrigado Baía!!

4 Comments:

At 2/24/2005 02:37:00 da tarde, Blogger Capitão Américo said...

Concordo plenamente...

 
At 2/24/2005 02:43:00 da tarde, Blogger Benfiquista desolado said...

Não tenho dúvida que Baía continua a ser o melhor e não um produto de marketing que se tentou fazer crer. Neste apecto não concordo com Scolari, campeão mundial e vice-campeão europeu. Mas só nesse aspecto...

 
At 2/24/2005 05:52:00 da tarde, Anonymous Águia Vitória said...

Na primeira vez que tomo contacto com o blog e antes de tecer qualquer comentário relativo ao "tag" gostaria de dar os meus parabéns pela criação deste espaço.
Agora propriamente o que eu gostaria de comentar:
Apesar de considerar o Baía um guarda-redes de bom nível e com qualidades acima da média, penso que tentar colocá-lo como melhor guarda-redes português de todos os tempos seria uma rábula engraçada e propria de um exacerbado defensor do FCP.
Para colocar o Sr. Vitor Baía no topo da hierarquia das nossas balizas, teríamos de apagar das nossas memórias as fantásticas defesas do saudoso Manuel Galrinho Bento e os seus voos milagrosos, bloqueando bolas que os adversários já gritavam golo, mas que o antigo terceiro anel sabia serem da responsabilidade de tamanho (não em tamanho) guarda-redes. Assim parece-me difícil que o Baía, possa igualar um homem que deixou tantas saudades no universo futebolístico português não só a nível clubistico mas também ao nivel de Selecção Nacional.
Gostaria ainda de relembrar que quando se fala da "NOSSA" selecção devíamos perguntar aquilo que lhe deram e não que titulos a selecção deu ao baía. Se for esta a base de análise, então baía e outros que eventualmente pensem assim não serão com certeza bem vindos.

 
At 2/24/2005 07:13:00 da tarde, Blogger Dourador de apitos said...

Aceito e agradeço o comentário de águia vitória, mas queria só deixar dois esclarecimentos adicionais:
1. O Bento, tal como o Damas e outros mais antigos foram enormes e óptimos GR, mas qualquer análise que se faça em relação às suas capacidades, bem como às do Baía, é subjectiva e pessoal. No entanto, objectivamente e em termos de sucesso profissional, julgo que é inquestionável que o palmarés do Baía faz dele o melhor GR português de sempre.
2. Concordo, plenamente, que não de deve, nem é legítimo perguntar o que é que a selecção deu ao Baía ou devia dar. De qualquer forma, só pretendi salientar que o Baía não lhe deve e que, acima de tudo e apesar do que lhe foi feito, não a rejeitou...
Será que ele não merecia, pelo menos, uma explicação??
Será que muitas pessoas seriam capazes de reagir como ele reagiu??

 

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