terça-feira, abril 26, 2005

Apito azulado!!!

Felizmente nem toda a comunicação social se esqueceu da violação do segredo de justiça, e com alguma dificuldade vamos sabendo o que se passou no conhecido jogo da fruta. Parece-me a mim que a comunicação social desportiva, que deveria comentar tais episódios, tem o rabo, ou outra coisa qualquer, preso. Parece que existem vários paineleiros que tal vez numa tentativa de baralhar as pessoas, procuram outros focos para centrarem as suas criticas, desviando assim do assunto mais sujo “conhecido” da história do futebol português. Como os meus amigos de Blog não são leitores assíduos do jornal “O Independente” achei que seria importante dar a conhecer excertos do que se passou.

“Os factos indiciados assumem grande gravidade, face à eventual viciação que importam dos resultados desportivo sem competições de âmbito nacional, que arrastam consigo milhares de pessoas, entre adeptos e dirigentes, que assim sairão defraudados, em toda a linha, colocando em causa mesmo o próprio Estado de Direito Democrático, por referência ao princípio constitucional da dignidade humana e da igualdade.”

“Na verdade, o mérito desportivo que deve nortear classificações de clubes desportivos em competição é preterido em função de interesses pessoais e a que são alheias as regras do jogo preestabelecidas para todos”

A juíza Ana Cláudia Nogueira, relaciona Pinto da Costa com o caso do árbitro Jacinto Paixão, que confessou ter mantido relações sexuais com uma das três prostitutas que o empresário de futebol António Araújo pôs à disposição da equipa de arbitragem, a seguir ao jogo FC Porto -Estrela da Amadora da época transacta (que os “dragões” venceram por 2-0), com erros assumidos pelo próprio árbitro de Évora.

O caso das prostitutas brasileiras contratadas para “entreter” a equipa de arbitragem de Jacinto Paixão é o mais picante que envolverá Jorge Nuno Pinto da Costa. De acordo com o mesmo despacho, eram oferecidas contrapartidas a árbitros para viciassem os resultados de jogos do FC Porto e dos seus principais adversários, o Benfica e o Sporting. A juíza Ana Nogueira considerou que “dúvidas não há, face à prova indiciária constante nos autos, de que foi Pinto da Costa, presidente do FC Porto, mediado pelo arguido Araújo, que ofereceu os presentes [o jantar com marisco e a noitada com três prostitutas]” aos três árbitros e “certamente não o fez por simples filantropia ou espírito de caridade, tendo exigido a respectiva contrapartida, a qual seria posta em campo”

Salada de frutas
António Araújo (AA) — Ó senhor presidente, eu... eu... ligaram para mim a pedir-me fruta para logo à noite. Posso levar a fruta à vontade?
Pinto da Costa (PC) — Já foi mandada! [pensando que era dinheiro, segundo a PJ do Porto]
AA — Mas a fruta é para dormir!... É o homem que vai ter consigo de tarde, o J.P. [as iniciais de Jacinto Paixão, também segundo a PJ do Porto], é um rebuçado para logo à noite...
PC — Diga que sim senhor.
AA — Só estou a dar-lhe... a dar conhecimento, ao presidente, senão isso fica... é que eu... eu... é que eu estou sempre a dispor, a dispor, também não há necessidade! [referindose às verbas a pagar pela “fruta”, ainda segundo a PJ do Porto, tendo sido combinado um encontro entre ambos, nesse mesmo dia, para falarem sobre a “fruta”]

Outros telefonemas de António Araújo
“Eu ajudo muito o presidente e você sabe disso!...” (telefonema de António Araújo para Luís Gonçalves, engenheiro que trabalha na SAD do FC Porto), dia 14 de Fevereiro de 2004, às 17h33 “Tu lembras-te, uma vez, depois de a gente acabar... o putedo com o Araújo aqui no Porto” (telefonema do árbitro Paulo Silva,
da Associação de Futebol do Porto e da segunda categoria nacional, relatando a Araújo a conversa com um colega acerca das orgias sexuais)

A sequência dos telefonemas
24/1/2004
12h58 – Jacinto Paixão telefona a António Araújo solicitando que o FC Porto lhe assegurasse para a próxima noite, no dia do jogo com o Estrela da Amadora, no Estádio do Dragão, os serviços de várias prostitutas.
13h00 – António Araújo telefona a Pinto da Costa, com quem manteve uma conversa em código.
13h34 – António Araújo telefona para a brasileira Cláudia Gomes, intermediária na contratação das prostitutas.
14h33 - António Araújo volta a telefonar a Cláudia Gomes.
16h06 - Pinto da Costa telefona a António Araújo.
17h02 - António Araújo telefona novamente a Cláudia Gomes.
17h36 - Pinto da Costa torna a telefonar a António Araújo.
17h51 - António Araújo telefona para Jacinto Paixão.
18h12 - António Araújo liga de novo para Cláudia Gomes.
25/1/2004
00h38 - António Araújo volta a telefonar para Jacinto Paixão
00h48 - António Araújo liga outra vez para Jacinto Paixão
01h45 - António Araújo volta a ligar para Jacinto Paixão Gomes que António Araújo contratou as três prostitutas para terem relações sexuais com os três elementos da equipa de arbitragem, recrutando-as no clube nocturno Golden, na Avenida Fernão de Magalhães, a poucas centenas de metros do Estádio do Dragão, segundo a Polícia Judiciária do Porto apurou

Afinal quem é que compra o quê? Vamos lá a não fazer confusões.

3 Comments:

At 4/26/2005 10:37:00 da tarde, Anonymous Águia Vitória said...

Confesso que estou a ver este caso ter o mesmo destino do "apagado" caso Calheiros.

 
At 4/27/2005 12:17:00 da manhã, Blogger meia distância said...

Não acredito que os bandeirinhas estivessem envolvidos... Isso seria contra o regulamento deste blog.

 
At 4/27/2005 10:55:00 da manhã, Blogger O pé que está mais à mão said...

bastava terem lido o livro "golpe de estádio" para saberem como funciona o tal "sistema"...à moda do norte. Conclusões desta trapalhada toda: o poder político protege o futebol. O poder politico controla a justiça (que devia ser independente). Este país julga-se europeu, mas não consegue saír de áfrica...

 

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